sábado, junho 20, 2009

Dizendo adeus aos meus 30 dias de férias no trabalho.... snif
Eita, mês baum esse.... dormindo bastante, passeando bastante, livre, leve e solta (na medida do possível, claro)

Refiz todos os documentos roubados no último assalto.
Passando por muito stress no Poupatempo de tanta fila e demora.
Ao final de tudo, deu certo.

Meu sogrinho faleceu nesse ínterim. Foi numa sexta-feira (05/06/09).
(Biografia dele no site Brasil Festeiro)
Diversos amigos/conhecidos dele fizeram homenagens e o ocorrido também foi notícia:
Notícia no site do CMI
Blog do Nei Duclós
Jornal da UFRGS
Myspace em memória dele

Muitos fatores estão envolvidos nesse desfecho infeliz.
Presenciei algumas, mas com toda a certeza há ainda um cenário bem maior da qual não estou a par. Então não vou me aprofundar nesse assunto.

O fato é que ele vinha sentindo dores no peito, a famosa angina de peito, que pode ser causado por "n" fatores que agridem o coração, cujos motivos mais comuns são a arteriosclerose, agravado por tabagismo e outros hábitos que prejuducam a saúde. Nas última semana, ele não estava conseguindo nem levantar da cama, nem dormir direito. Qualquer esforço era muito penoso para ele.
Quando finalmente conseguimos levá-lo ao hospital, um dia antes do ocorrido, foi diagnosticado angina de peito instável e ele foi imediatamente internado.
Controlaram o coração dele com medicamentos e naquela noite, no horário de visita, fomos eu e meu namorado visitá-lo. Ele aparentava bem e calmo, tinha um cateterismo marcado para a manhã seguinte. Eu até o confortei, dizendo que o cateterismo era um procedimento tranquilo, porque eu mesma fiz um no começo do mês para tratar da minha arritmia e deu tudo certo.
Acredito que tanto eu, meu namorado, a irmã e o cunhado dele, ficamos mais tranquilos ao vê-lo naquele estado, em que ele não sentia dor e estava "bem". Acredito que tivemos mais esperança de que daria tudo certo.

Infelizmente na manhã seguinte, recebemos a notícia de que ele havia falecido aproximadamente às 09:00 da manhã, num infarto fulminante. Foi um choque para nós.
Ele tinha 73 anos.

O velório foi naquele final do dia, vieram muitas pessoas: músicos, amigos e alguns parentes. Apesar de triste, foi o velório mais bonito que já vi. Tocamos os discos dele no CD player, depois os músicos relembraram dos melhores tempos da carreira deles, tocando e cantando as músicas ao vivo. Cantaram, inclusive uma música bem melancólica mas muito bonita, que fala sobre os pampas gaúchos. Eu não sabia, mas essa música era uma que ele ia gravar junto com os músicos num show para o programa Sr. Brasil da TV Cultura. O show foi gravado essa semana como uma homenagem e vai passar daqui a uma semana, às 22:10 na TV Cultura.
Um outro amigo/aluno/companheiro de trabalho levou a rabeca e tocou, improvisando junto com os músicos. De olhos fechados, eu podia jurar que era o próprio Zé tocando, de tão bom que estava. O som que saía era igualzinho a quando o meu sogrinho tocava.

Eu não sou do ramo da música e não entendo nada de música também. Mas vou contar o meu lado da história:

A primeira vez que ouvi falar do Zé foi quando eu tinha acabado de conhecer o meu namorado e num desses passeios pelo quarteirao da facul, ele estava me contado de como o pai se indignava com o sistema atual, esse capitalismo selvagem e surtava com o McDonald's e a Coca-Cola.
A primeira vez que eu VI o Zé foi quando ele se mudou do Rio Grande do Sul para São Paulo e veio morar na casa do meu namorado. Ele chegou com uma bagagem e o violino dele. Me chamava de "filhinha". Pra mim, ele era o "Zé", o papai muito fofo do meu namorado. E diversas vezes muito brabo com o mundo moderno e seus comerciantes, a publicidade, os bancos, a falta de trabalho, o computador que era muito complicado, etc. Depois apareceram uma rabeca e uma viola de cocho, mas não sei/não lembro como foram parar lá. Tem um disco inteiro tocado com esses dois intrumentos.
Ele me deu o disco "Palavras Querem Dizer". Muitas trilhas que ele compôs, dizem que toca no Globo Rural até hoje. Direitos autorais? Me dizem que tem uma empresa que não pagou ele até hoje, mesmo depois de ter perdido o processo naquela época.
A única coisa que eu ajudei efeitivamente com respeito ao trabalho dele foi refazer a parte artística de todos os discos, juntamente com a parte do meu namorado, que foi regravar os CD que já tínhamos, para mandarmos o trabalho todo do papai para um professor de outro estado, que estava se correspondendo por email, interessado.
Ele gostava de assitir TV, fumar cigarro de palha e uma boa conversa, uma discussão de idéias. Adorava formular teorias e máximas. Não se conformava com a sociedade, onde tudo funcionava em prol do lucro próprio e mais lucro próprio.
Eu dizia "É difícil, Zé.... esse modelo têm existido por mais de trocentos anos... é difícil mudar de uma hora pra outra, senão impossível."
Quando eu fui assaltada e levei s 15 pontos no antebraço, dava pra ver que ele ficou doído, quando fechou a cicatriz ele ainda ficava perguntando como estava. Quando fui fazer a ablação e voltei, ele comentou: "Então quer dizer que você passou por um milagre da ciência..."
Ele ficava indignado também com o fato de meus pais não gostarem do meu namorado. "Por quê colocar tanto empecilho entre duas pessoas que se amam, ora!"
Enfim, foram uns 3 anos de convivência. Tínhamos planos de vê-lo vivo por mais uns 10 anos, pelo menos. Ele mesmo ainda tinha tantos planos.

Não sei bem o que escrever para finalizar esse post, mas pela experiência de perda da minha irmã e agora do meu sogro, o meu conselho é: cuidem da saúde, de todas as formas possíveis. Faça um plano de saúde pra ter acesso a tratamento médico de melhor padrão. Isso já é tão batido, mas vai deixar de ser batido quando um dia nos dermos conta de que não podemos mais fazer isso ou aquilo porque alguma complicação de saúde nos limitou.

Boa noite.

1 Comments:

At 9:48 PM, Blogger edson massao said...

essas coisa de (falta de) saúde, cuidar, prevenir...não são muitos q têm esse cuidado, simplesment epor achar q nunca vai acontecer com eles. no fundo tb sou um deles.

talvez só tendo um treco pra aprender o quão frágil nós somos.

 

Postar um comentário

<< Home