Hoje teve casamento de um dos ajudantes gerais da empresa.
Como ele é da igreja também, a cerimônia foi no local de reunîões que todo mundo costuma ir aos Domingos.
Hoje estava programado pra eu ir sozinha ou com o namorado e esperava ver o pessoal da empresa lá também. Porém, o Sung (é um dos meus chefes, irmão da igreja e também amigo do meu pai) me ligou à tarde, enquanto atendia uma cliente de Herbalife na Zona Leste, dizendo pra eu ligar pro fulano e ciclano (todos chineses que participam da reunião familiar que acontece todo final de tarde do Sábado) e combinar com eles o horário de eu ir buscá-los, porque vão no casamento. Eu pensei: "Ué? Que raios eles vão fazer no casamento, se eles nem sequer conhecem os noivos??" Mas tudo bem, fiz o que ele pediu, o meu plano de ir sozinha ou com o namorado foi por água abaixo e realmente, eles ficaram boiando na cerimônia, porque não conheciam ninguém e não entendiam o que estava sendo falado. Mesmo eu ter traduzido um parte, não estavam lá muito interessados no que estava sendo dito também. O meu irmão se divertiu com a situação.
Depois o pessoal jantou lá na igreja mesmo e mais da metade foi embora após a refeição. Só estávamos eu, meu irmão, minha mãe, uma senhora idosa e o Davi, que é o chefe que trabalha do meu lado na empresa.
Os noivos estavam se divertindo, passando de mesa em mesa pedindo dinheiro - o noivo pedia pro homens e dava um pedaço da gravata em troca de dinheiro; a noiva estava passando com o sapatinho dela numa bandeja, pedinho dinheiro pras mulheres, as quais colocavam a quantia dentro do sapato da noiva.
A reação da minha mãe foi de gente puritana: ela ficou perturbada interiormente com o que os noivos estavam fazendo, porque era uma coisa "mundana". É como se ela se sentisse num ambiente pecaminoso e por isso se sinta estranha e perturbada. Depois que voltamos pra casa, ela foi procurar uma resposta na Bíblia e nos livros de mensagens que os irmãos "antepassados" deixaram, e só sossegou quando ela achou um trecho que dizia que na casa de Deus, é normal ter gente mais imaturo e gente mais maduro espiritualmente. Me desculpe a comparação, mas isso parece o Ned Flanders do Simpsons, que procura resposta na Bíblia até pra consultar se deve comer corn flakes ou crispies de manhã. Não seria mais fácil olhar com outros olhos e ver que os noivos eram pessoas jovens, estavam se divertindo e que isso é perfeitamente normal?
Falando nos noivos, quando eu vi a noiva indo pro altar de braços dados com o pai dela, eu me lembrei do meu pai dizendo que se eu casar com o meu namorado, ele não vai no casamento e que o meu casamento não vai ter a bênção de Deus. Oquei, quer dizer que vai ser amaldiçoado? Até já imaginei a cerimônia, com poucos convidados (maioria amigos) e a minha tia brasileira como a única parente minha. Vou sozinha ao altar, sem papai nem mamãe e o meu discurso vai ser sarcástico, com uma pontinha de humor. Vai ser uma cerimônia sem benças e muitas risadas. Ui, ui, que coisa triste.
No discurso dos noivos e do irmão que estava como o mestre-de-cerimônias, tudo era uma bênção só: bença noiva, bença noivo, bença convidados, amigos e familiares, bença Deus, tudo bença. E também disseram que a cerimônia é uma etapa importante e necessária, porque é um testemunho diante dos homens de que o casal são agora uma só carne, como diz a Bíblia. E que muitas pessoas do mundo não fazem mais isso (o que subentende-se que está errado). E teve a parte que reforçaram aos noivos o trecho em Efésios, aquela que diz que o marido deve amar, respeitar e cuidar da esposa como se fosse a si mesmo, assim como Cristo ama e cuida da Igreja. Idem pra esposa.
Outra coisa que o mestre-de-cerimônias disse: Deus não namora - Deus casa. Eu fiquei assustada com essa afirmação, e mais assustada ainda quando o irmão comentou que isso fez parte das mensagens dadas aos adolescentes e jovens numa das conferências passadas, algo do tipo: "quantas balas você tem na sua pistola? Duas? Três? Dez? Pois deve ter só um. Porque o certo não é sair por aí atirando pra tudo quanto é lado. O certo é orar e esperar. Esperar pela pessoa certa que Deus vai dar no momento oportuno." Oquei, isso é uma forma de terrorismo psicológico pra evitar que garotos e garotas saiam por aí tendo casos e filhos (talvez). Mas poxa, daí quando alguém encontra uma pessoa que gosta, acaba se sentindo culpado por gostar de tal pessoa, percebe que, por mais que ore, não consegue domar os sentimentos e daí se sente pecadora. Ou quem consegue, fica uma pessoa reprimida. Eu não acho isso saudável. Eu sofri esse terrorismo psicológico. E é incrível como a cada conferência direcionada pros jovens eles conseguem bolar umas mensagens desse tipo. Por isso nem tenho vontade de participar mais. Chega de lavagem cerebral.
Resumindo: affe, não gosto de casamentos. Ainda mais sem meu namorado do lado pra me dar um apoio moral. Ainda mais ter que escutar coisas estranhas. Assim eu fico com vontade de cuspir veneno. Ói, que pessoa mais amarga estou ficando. Vixe.



1 Comments:
ahhhn, eu gosto de casamentos. no final entendo q ser convidado para um é uma grande honra pelo fato dos noivos terem se lembrado de mim para q seja testemunha de um momento feliz da vida deles. nada muito além disso...e a festa geralmente é legal tb! etc etc etc...
nunca tive o costume de frequentar a igreja, seja ela qual for. mas não imaginava q havia tanto terrorismo e "lavagem cerebral" da forma como vc descreve. às vezes me parece como propaganda eleitoral onde tentam colocar na sua cabeça q tal partido ou candidato é melhor, q a ideologia do partido é a mais certa...
e o livre arbítrio né?
beijo!
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