domingo, setembro 30, 2007

Depois de um tempo infinido fora do ar (pelo menos por aqui), resolvi NÃO abandonar de vez esse pobre blog.

Já estou no último ano da faculdade, mais precisamente, faltando apenas dois meses para me formar. O meu TCC é sobre a Cacau Show e estou num grupo com 4 pessoas.

Agora, também trabalhando no Bom Retiro, num empresa pequenininha que faz importação de tecidos diretamente da China! Vai ser a China na fita nos próximos anos, hahahah.

Brincadeirinhas à parte, acredito que esse emprego foi por parte da providência divina. Enquanto eu corria feito louca atrás de estágios e sem conseguir nada além de entrevistas sem resultados, um irmão da igreja pediu que eu ajudasse no escritório dele, que tava apenas começando. De primeira, pensei que se tratasse de uma coisa temporária, nem pensei em remuneração alguma e topei, meio conta-vontade. E aconteceu que fui efetivada algumas semanas depois, junto com mais umas três pessoas que entraram depois de mim. É graças a Deus, sem pieguice. E do salário que recebo, uma parte vai para os irmãos que estão pregando o evangelho nas cidades mais distantes, que precisam arcar com custos de transporte, alimentação, aluguel do local de reuniões, enfim, pra o que for preciso. E graças a Deus por isso também.

Tenho um namorado, estamos juntos desde o final de 2005. Um pouco antes da minha irmã falecer, conheci ele. Como ele não é cristão e também não é o príncipe do cavalo branco (alto, forte, rico e bonito) os meus pais rejeitaram ele.

Me forçaram a terminar com ele. Disseram que ele ia me afastar de Deus. Disseram que ele é uma tentação vinda do diabo. Disseram que eu precisava terminar com ele de uma vez por todas. Eu realmente terminei, mas voltei em pouco tempo.

Não costumava mentir. Acabei mentindo um ano inteirinho, o ano de 2006 foi inteirinho de namoro escondido. Tenso. A consciência de que eu estava mentindo me deixava acabada, fui ficando acabada. Como se não bastasse, me submetiam a longos sermões, tentando me convencer a terminar, seja usando palavras mais contidas ou palavras mais pesadas, usando a religião. Mas eu só escutava calada e depois tinha vontade de me dar um tiro na cabeça, de bater a cabeça contra a parede, porque as coisas horríveis que eu tinha escutado deles era como assombração, vindo e voltando na memória e eu ficava com insônia, chorando a noite inteira ou chorando até dormir.
E no dia seguinte acordava acabada e pareciam não perceber, ainda me acusando de não comer direito e botar culpa nos shakes da Herbalife. Impressionante.

O final de ano de 2006 foi o ápice do horror. O irmão do farmacêutico preferido do meu pai casou e convidou a gente. A festa foi linda, as famílias dos noivos pareciam ser dar ótimamente bem. Acho que isso trouxe lembranças de que os meus pais gostariam que o namorado da minha irmã fizesse parte da família também. E como eu não fiquei com ele (fim da picada, eles queriam isso) e acabei gostando de outro que não se parece com o rapaz, ficaram totalmente decepcionados.

Eu também, olhando toda a alegria dos noivos, fiquei bastante magoada por eu ter que esconder o meu namoro. No dia seguinte contei pros meus pais que eu ainda estava namorando o mesmo cara e eles perderam o controle. Meu pai ameaçou que não iria no meu casamento. A minha mãe ficou hiper-dramática. E a casa ficou num clima de guerra-fria.

E como manda o figurino, todo o final de ano é na praia. Dessa vez não foi diferente. Bom, foi.

Nunca passei maior trauma na minha vida além da morte da minha irmã e o final de ano de 2006, na praia. A minha mãe ficava me vigiando, vendo quantos torpedos eu mandava pro meu namorado e ficava escutando quem falava comigo no celular. E ficava trazendo a bíblia debaixo do braço, com uma cara bem feia, pra me passar sermão e me forçar a terminar. Ela fazia uns ultimatos do tipo: se você ficar com ele, você vai ficar nas trevas. Você escolhe: ou ele, ou Deus.
Chegou a um ponto que eu não agüentei mais e gritei. Gritei de desespero: "Pára de vir até mim como se você fosse juíza, querendo me condenar!!" E daí ela se trancou no quarto por um dia inteiro, chorando, dizendo que previa calamidade se eu continuasse com o meu namorado. Chegou ao ponto de fazer eu, meu irmão e meu pai se reunir de manhã pra ler a bíblia e orar, mas estava na cara de que tudo o que diziam era pra me convencer a terminar e enquanto eu não dissesse que iria terminar, diziam que eu continuava nas trevas.

Encurtando a história, não sei como sobrevivi a esse inferno, mas quando me dei conta, estava de volta em SP, era 2007 e eu sentia uma vontade de dormir, dormir e não acordar mais. Não tinha vontade de ver ninguém, de fazer nada, queria ficar realmente louca pra ver se tinham um pouco de pena de mim. E todo esse tempo o meu namorado me deu suporte e me confortou. Acho que é um dos motivos pelo qual ainda nào tentei me matar ou fazer alguma coisa mais radical.

Não sei se fiquei louca, mas com certeza fiquei com alguma seqüela, porque vira e mexe eu tenho vontade de me matar, fico morrendo de ódio, fico com insônia, me sinto miserável e frágil, incapaz, uma merda de gente. Depois de tudo isso, perdi a noção de quem Deus realmente é. Estou redescobrindo ainda. Tenho medo de que aconteça os mesmos escândalos se o pessoal da igreja souber.

Antes eu até tinha alguma esperança de que o meu namorado possar vir comigo à igreja. Mas agora acho que é tarde demais. Ele ficou com a impressão de que a igreja é um antro e não sei se foi culpa minha. Acho que não é justo ser culpa minha e não queria que fosse culpa minha.

Já era tempo que eu organizasse as minhas idéias pra contar a minha história.

Obrigada a quem ler isso e sentir um pouco de pena de mim. Realmente, foi muito penoso.

Tenho medo de que num dessas crises de depressão eu acabe me matando, porque a tristeza é tão grande e incontrolável que a minha cabeça parece que fica em 3a. pessoa, distante, vago...

Acho que me sinto melhor depois de escrever. Boa noite.

4 Comments:

At 11:32 PM, Blogger edson massao said...

olá J. o q sinto não é pena de vc mas sim orgulho de ver q vc é forte o suficiente pra ter suportado tudo isso e ainda mais descrever o q se passou. fico feliz de ver q vc está tentando traçar e seguir seu caminho, seguindo seu coração, mesmo q digam para vc fazer o contrário. acho q durante nossa vida temos muitas provações e q em determinados momentos a vontade de largar tudo parece ser maior, ainda bem q isso não chegou a acontecer com vc. continue lutando por aquilo q vc acredita. fui num casamento ontem onde o pai do noivo fez um discurso bonito e um trecho dizia q "os pais não devem ser felizes pelos filhos. eles tem q buscar sua própria felicidade". lute e busque sua felicidade. sei q ainda terei o prazer de ler aqui posts com muita alegria.

força sempre!

 
At 4:23 PM, Anonymous Anônimo said...

Oi Jessi! Na verdade, não sei o que dizer, mesmo.

Sinta-se abraçada.

 
At 1:43 AM, Blogger Claudio Silva said...

Ola Jungle, não seu se é um conselho... Termine a faculdade e siga o seu rumo com o seu namorado... Case com ele, fuja com ele... Nao tente se matar que voce só vai estar fujindo do problema...
Voce já é maior de idade e pode namorar quem voce quiser...
Se liberte disso...

 
At 10:08 AM, Blogger Claudio Silva said...

Ola Jungle, espero que esteja melhor.
A melhor coisa que voce pode fazer nesse momento de desespero em relaçao a isso é desabafar com alguém. Se nao tiver com quem desabafar, escreva e solte tudo aquilo que está sentindo...
Um beijo em seu coraçao e força.
Pode ter certeza que aqui do outro da tela tem alguém que lhe quer muito bem.hp

 

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