Voltei!
Fiz doação de células-troco nesses dois dias que se passaram! Com a graça de Deus, tudo correu bem.
A minha irmã, apesar das quimios que ela tomou durante 5 dias, não ficou com as funções do corpo comprometidas. Ela continua normal, comendo bem, ganhando 1 Kg a cada dia, sendo que agora ela está com 45 kg.
Vou fazer uma retrospectiva desses dois dias que fiquei internada no hospital:
*07/11* - Segunda-Feira:
- Cheguei no hospital às 07:00 da matina pra fazer a internação. Estava em jejum desde as 20:00 da noite anterior, porque o médico programou a passagem de catéter pra esse dia, e recomedou 12hs em jejum. Como ele havia dito que provavelmente seria às 8:00 da manhã a passagem do catéter, então parei de comer e tomar líquidos às 20:00 da noite.
- Acontece que depois me avisaram que a passagem do catéter seria somente às 11:00...
- O enfermeiro colocou um acesso na minha veia do braço direito, pra facilitar coleta de sangue e aplicação de medicamentos intravenosos. É uma agulha ligada com dois "cabos", digamos assim.
- O anestesista foi conversar comigo mais tarde, explicando que o procedimento seria feito no centro cirúrgico, que eu seria sedada (o nome da substância é Propofol), e quando eu menos esperasse, o catéter já estaria passado. A veia que seria pega era a subclávia (embaixo do osso do ombro).
- Depois a enfermeira trouxe um avental especial, touca e pró-pés pra eu descer pro centro cirúrgico, e às 11:00, vieram me buscar de maca.
- Já na mesa de cirurgia, colocaram eletrodos em mim, descobriram o começo do tórax, deixando o pescoço e os ombros à mostra. Assim que o anestesista liberou o Propofol na minha veia, os meus sentidos se distanciaram na hora, e só falei brincando pros médicos: "Ai, deu sono agora, Boa Noite." E fechei o olhos. Parece que deu uns 5 minutos, escutei as vozes das enfermeiras ajudantes, e abri os olhos. Pensei: "Ué? Não vão passar o catéter nunca?" (Na verdade já havia se passado 1h)
Mas assim que os meus sentidos voltaram aos poucos, nossa, que dor que eu senti! Não podia virar o pescoço, porque parecia que estava com uma faca encravada no pescoço, e ainda com torcicolo! (Que agonia!) Penei pra me mexer e me arrastar pra maca para ser levada ao quarto novamente!
- Me levaram pro Banco de Sangue às 15:00 pra fazer a coleta de células. A máquina de coleta é na verdade uma máquina de hemodiálise acoplada com uma centrífuga, que separa as camadas dos sangue. Então acoplaram os tubos da máquina com as saídas e entradas do catéter e começaram o procedimento. Como não havia almoçado até aquela hora, senti uma tontura. Mas dali a pouco levaram o almoço lá onde eu estava.
- O cunhaDudú foi doar sangue esse dia, com os pais, e veio me ver. A mammy dele comprou uma tartaruguinha marinha de pelúcia pra mim. Muito bonitinho~!
- A enfermeira que cuidou de mim lá no Banco de Sangue foi a Renata, muito legal, tá grávida de 4 meses! E foi ela quem me ajudou a fazer pipi na comadre, porque não podia ir ao banheiro durante o procedimento.
- Enquanto o sangue circulava, sentia muito frio, porque o sangue que voltava pra mim ficava um grau mais frio do que o sangue que saía do meu corpo. Tentava dormir e não conseguia de tanta dor e frio! Ao final, o pescoço tava tão dolorido que chorei. Não deu pra segurar, parecia que a pele ia rasgar a qualquer momento! E pior que nenhum analgésico funcionou...
- Tinha levado a minha Bíblia comigo, pra ver se eu conseguiria ler um pouco, mas que nada! Doía tanto que não deu. Só fiquei agüentando a dor e o frio e pedindo pra que Ele me desse forças!
- Quando voltei para o quarto, tava tão moída que não conseguia nem falar no telefone. A minha mãe ligou, o meu pai ligou, a minha vó ligou, a minha tia ligou, e eu não conseguia ficar muito tempo segurando o telefone, e nem conseguia falar no viva voz, que tinha que falar alto (e ai, como doía!).
- Dormi cedo esse dia.
*08/11* - Terça-Feira
- Acordei melhor, sem a dor de torcicolo, mas ainda com a faca encravada no pescoço.
- A coleta foi mais cedo, às 11:00 da manhã, e terminou às 15:00 da tarde. Foi mais tranqüilo, porque não estava doendo como no dia anterior.
- Fui avisada de que seria transferida para o 12o. andar (o memso andar da minha irmã), porque o 6o. andar seria interditado pra reforma. Assim que saí do Banco de Sangue, fui levada ao meu novo quarto, a 3 portas de distância da minha irmã. A minha mãe veio me ver, mas não falei muito com ela, porque tava moída depois da coleta.
- A minha irmã recebeu as duas bolsas de células-tronco nessa tarde, coletadas fresquinhas!
- O médico veio me dizer, mais tarde, que talvez a soma das células coletadas não sejam suficientes para serem transfundidas na minha irmã (pois o meu corpo não se sensibilizou com o Granuloquine), portanto que eu estivesse preparada para ficar mais um dia no hospital e fazer a 3a. coleta. Tomei outra dose de Granuloquine pela veia, porém depois fui avisada de que as células foram suficientes, e que poderia retirar o catéter e receber alta.
- Como estava muito tarde, quis sim retirar o catéter e receber alta somente na manhã seguinte.
- Pedi pra enfermeira que veio tirar o catéter pra lavar e embrulhar o dito cujo num saquinho, que eu iria levar pra casa como lembrança.
- Nossa, doeu também pra tirar o catéter! Parecia que uma faca estava sendo puxada do meu pescoço! Ardeu muito! E depois a enfermeira ficou pressionando o local pra estancar o sangue e cicatrizar mais rápido. Fez um curativo e falou pra eu dormir, que no dia seguinte já estaria bem.
*09/11 - Quarta-feira
- Hoje acordei livre, não doía quase nada no pescoço, consegui andar de cabeça erguida e costas retas!
- Recebi os documentos da internação, o médico passou no quarto e me autorizou ver a minha irmã um pouco (ela está ótima!), e logo depois o meu pai chegou pra me buscar.
- Graças a Deus que tudo correu bem! Agora é continuar orando ainda, pra que as células tenham um bom efeito no corpo da minha irmã. Em nome do Senhor Jesus.
Por hora é isso, muito obrigada a todas as pessoas que cuidaram de mim nesses dois dias! Infinitamente grata ao Senhor por todos vocês!
Abraços e Paz!



1 Comments:
oi Jessi! fiquei um pouco agoniado aqui de ler sua passagem pelo hospital! imagino todas as dores q vc sentiu, do catéter e tudo mais! mas tudo isso vai valer a pena, vc vai ver ;)
beijon e se cuida! e cuida da Leide tb!
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