sexta-feira, agosto 06, 2004

Hoje eu assisti ao filme Réquiem para um sonho, do diretor Darren Aronofsky. Gente.... nem tenho palvras pra dizer direito como é esse filme... "degradante", "impactante", "depressivo" e outros adjetivos do gênero não são suficientes para descrevê-lo....
Assim que terminou o filme e começaram a subir os créditos, acho que fiquei uns dez minutos sentada no sofá, chocada, pensativa, fitando o nada.... e não estou brincando! Assistam uma vez para experimentarem que coice no estômago que é... *ugh*

Estava navegando por aí , procurando mais informações e opiniões sobre o filme, e encontrei uma crítica de um cara chamado Adriano Ferreira, que descreve muito bem o que eu senti após ver o filme:

"Minhas expectativas sobre Réquiem Para um Sonho eram altíssimas. Desde o Oscar (quando Ellen Burstyn foi indicada), eu tinha a fortíssima impressão de estar diante do filme do ano, o filme que seria a experiência mais brilhante de 2001. Só o fato de ver o cartaz do filme na minha frente já provocou arrepios. Mesmo assim, foi impossível me sentir preparado para a imensidão de degradação, crueldade e tristeza que domina o filme.
Sara Goldfarb, senhora idosa, tem um filho viciado, Harry. O filho vive roubando a TV da mãe para comprar drogas. Sara, pacientemente, sempre pega a TV de volta, já que não vive sem seu programa predileto, um show de auditório que a faz ficar quase hipnotizada. Num dia de verão, ela recebe por carta um formulário para aparecer no programa. Quase flutuando de tanta emoção, Sara deseja muito poder emagrecer para caber num velho vestido vermelho seu, antigo. Depois de tentar uma dieta, ela resolve começar a tomar pílulas para emagrecimento (anfetamina).
Enquanto isso, Harry, sua namorada e um amigo descem cada vez mais fundo no inferno das drogas. Cada vez é mais difícil arrumar um "barato". Nesse estado, como Harry pode impedir a mãe de se tornar dependente das pílulas, se nem ele consegue controlar seu vício?Não dá para descrever o filme. Lendo os dois parágrafos acima, parece um dramalhão. Não é. O filme é um pesadelo. Todos os personagens chegam ao fundo do poço, sem nenhuma luz no fim do túnel. Harry e seu amigo irão arrumar complicações. Sua namorada tentará conseguir drogas da maneira mais dolorosa (e degradante) possível. E sua mãe, a personagem mais frágil, a única que não tem consciência do próprio vício, chegará a um estado escabroso (se torna uma doente mental).
O diretor Darren Aronofsky não tem pena da platéia, nem joga o jogo de Hollywood. Nem pense em clemência para os personagens. E se você achar que o filme está meio morno e nem é tão pesado assim (eu estava pensando isso enquanto o via), espere o inv(f)erno chegar. Com a força de uma bigorna, a degradação dos personagens é arremessada na cara do espectador.O diretor abusa de repetição de cenas e cortes rápidos para mostrar o efeito das drogas. É um recurso irritante e que enerva, dá vontade de gritar: "Parem com isso!". Aliás, uma das coisas que mais incomoda no filme é saber que todos os personagens poderiam ter tido destinos tão diferentes. Se a gente pelo menos pudesse avisar a pobre Sara.

Réquiem Para um Sonho é uma experiência das mais impactantes. Com certeza vai me fazer ter pesadelos por alguns dias. Principalmente uma das últimas cenas de Jennifer Connelly, que faz Marion: dá muita vontade de pedir ao diretor pra parar com aquilo. É horrível, e não há outra palavra pra descrever. Na verdade, toda a parte final é horrível, assombrosa e comovente. É de chorar aos borbotões, como eu chorei, compulsivamente. Eu rezava para que todos os personagens morressem, para que o sofrimento deles acabasse logo. E pra quem não acredita que o Oscar muitas vezes nada é do que uma grande tapeação, Ellen Burstyn perdeu o Oscar que era seu para uma tal de Julia Roberts. Sara Goldfarb é a interpretação de uma vida. É a alma que todo mundo da platéia deseja salvar, mas infelizmente não pode. Nunca na minha vida eu me senti tão impotente. Poucas vezes a degradação humana me chocou tanto. Querer ver esse filme de novo é masoquismo, ainda mais que ele fica inteirinho na nossa cabeça, muito tempo depois de ter acabado."

Os personagens terminam na maior solidão: Harry no hospital com um dos braços amputados; Tyrone (amigo de Harry) na cama do cárcere, passando frio e se lembrando que dormia quentinho nos braços da mãe; Maron, com sua dose de heroína e sem nenhum amor-próprio (ela fez coisas estrambólicas para sustentar o seu vício); Sara, literalmente uma doente mental, na cama do hospício, ainda escutando vozes do programa de TV anunciando o seu nome. Tudo isso vem acompanhado de uma dose extra de agonia e é muito, mas MUITO visceral...*ugh*
No final do filme, a câmera vai mostrando (ângulo superior, de cima para baixo) os personagens, no sofrimento, se encurvando um a um na posição fetal. Exatamente como o fim de Macabéa do livro "A hora da Estrela", da Clarice Lispector. Degradante, degradante.... *ai, não me sinto muito bem....* *ugh*

Até o próximo post! ^^ (espero que vocês sejam mais fortes do que eu (psicologicamente) para assistir a um filme desses... Rs rs rs)

1 Comments:

At 8:51 PM, Blogger edson massao said...

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